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Porto Alegre/RS

Uma breve história sobre empreendedorismo

 

Reza a lenda que a maioria das empresas começa com uma ideia diferente que é aplicada na solução de um problema. No entanto, os estudiosos da disciplina de empreendedorismo acreditam que é melhor começar com uma paixão para resolver determinado problema, em vez de começar com uma ideia ou uma nova tecnologia. Ao se concentrar no problema, o empreendedor não fica preso a uma ideia, solução ou tecnologia específica e, desse modo, não precisa tentar adaptar isso a um problema.

 

Atualmente, há mais empreendedores atuando do que em qualquer período da história e isso se justifica pelas drásticas mudanças na economia global, causadas, principalmente pelo advento da internet e, consequentemente, pela globalização. Os empreendedores estão por toda parte e em todos os lugares.

 

Uma metáfora interessante é comparar uma empresa iniciante ao automóvel, criado por um dos maiores empreendedores de todos os tempos: Henry Ford. Antes de se tornar um famoso CEO – chief executive officer, Ford era engenheiro e passou dias e noites em sua oficina, perseguindo a mecânica exata para obter o movimento dos cilindros do motor. Cada explosão dentro do cilindro gera a força motriz para girar as rodas, e também produz a ignição da próxima explosão. Se o tempo desse ciclo não for o adequado, o motor vai engasgar e parar de funcionar. As empresas possuem um motor parecido, o motor do crescimento. Cada nova versão de um produto, cada novo recurso utilizado, cada nova estratégia de marketing representam uma nova tentativa de melhorar esse motor de crescimento.

 

Assim como aconteceu com Ford em sua oficina, nem todas as mudanças promovem melhorias, mas todas elas geram aprendizado, que é um dos ingredientes do crescimento de uma empresa. O desenvolvimento de um novo produto, por exemplo, acontece aos “trancos e barrancos”. Essa expressão idiomática representa a dificuldade desse processo de desenvolvimento de novos produtos, muitas vezes causada por incertezas tecnológicas e mercadológicas. Muito tempo na vida de uma empresa iniciante é destinado para regular o motor com a intenção de obter melhorias em sua operação.

 

Como o objetivo de uma empresa iniciante é descobrir a coisa certa a criar, que representa algo relevante para as pessoas e, consequentemente, algo pelo qual elas pagarão, mapear e compreender as incertezas é um processo fundamental. Podemos classificar os riscos em três categorias.

 

1 RISCO TECNOLÓGICO

Em 1995, criar uma empresa de software no Vale do Silício custava cerca de US$ 15 milhões. Hoje, esse investimento custa menos de US$ 100 mil, o que significa que o risco tecnológico foi reduzido em 150 vezes e acaba por representar meras questões de escalabilidade do negócio.

 

2 RISCO DE MERCADO

Como dizia Steve Blank: “nenhum plano de negócios sobrevive ao primeiro contato com o cliente”. Antigamente, era de praxe realizar uma pesquisa de mercado, criar totalmente e por conta própria o produto ou serviço, contratar uma equipe de vendas e depois investir tempo e dinheiro para tentar comercializar a ideia sem ao menos saber o que o consumidor queria. Desde 2000, as empresas iniciantes podem lançar mão de campanhas de AdWords, mídias sócias e sites de arrecadação de fundos antes mesmo de iniciar a engenharia de produto. Ou seja, hoje os empreendedores podem validar a demanda antes mesmo de criar o produto ou serviço.

 

3 RISCO DE EXECUÇÃO

O risco de execução representa o único problema real no processo de colocar em prática uma ideia ou um negócio. Responder a perguntas do tipo “como a empresa deve ser organizar para obter resultados?”, “como podemos usar a informação para criar uma vantagem competitiva?”, “como criar um modelo de negócio original e sustentável?”, ou “como nós podemos entregar algo significativo para o cliente?” é uma parte importante do empreendedorismo.  

 

Entendidos os riscos relacionados às atividades empreendedoras, é importante dizer que as empresas, sejam elas iniciantes ou já estabelecidas, existem não somente para fabricar coisas, ganhar dinheiro ou simplesmente atender os clientes. Elas existem para aprender a desenvolver um negócio sustentável no longo prazo, já que o cenário de negócio segue em constante transformação e, obviamente, novos riscos podem se apresentar a qualquer tempo. Essa aprendizagem pode e deve ser validada por meio de experimentos frequentes que permitem aos empreendedores testar várias hipóteses relacionadas a melhor forma de operar o negócio, incluindo o desenvolvimento e a comercialização de novos produtos e serviços. Aí entra a utilização da lógica construir-medir-aprender, de Eric Ries, que é fundamental para tomar as melhores decisões e viabilizar o crescimento. Ou seja, uma empresa precisa transformar ideias em produtos, serviços ou estratégias, medir como os clientes reagem a essas iniciativas e, então, aprender para decidir entre ajustar, mudar ou perseverar. Todos os processos da empresa devem ser pautados pela mesma lógica, que viabiliza um rápido ciclo de feedback, aprendizado e tomada de decisão.

 

No entanto, a inovação, que representa um importante instrumento empreendedor, é o que pode realmente viabilizar vantagens competitivas frente a concorrência e a sustentabilidade do negócio no longo prazo. Assim sendo, se faz necessário estabelecer práticas gerenciais relacionada às iniciativas de inovação: definir como medir o progresso, estabelecer marcos e formas de priorizar o trabalho, assim como as equipes envolvidas são atividades que permitem o atingimento de melhores resultados, que podem significar a sobrevivência ou a diferenciação da empresa por um período determinado.

 

Resumindo: aquele empreendedorismo de palco pautado em fórmulas mágicas que vão te fazer vender milhões em 30 dias não existe! Empreender é foda! Não é brincadeira e vai exigir muito trabalho e dedicação em todas as etapas do negócio, da ideia validada ao escalonamento das vendas do produto dentro de um modelo de negócio organizado e coerente.

 

Até a próxima reflexão inovadora!

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